\r\n Parte do setor de logística da fábrica da Ford, em São Bernardo, foi "desterceirizada" neste mês. O acordo entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ainda realocou funcionários para evitar demissões e trouxe 57 trabalhadores que estavam afastados por meio do lay off (suspensão temporária do contrato de trabalho). A conquista vai na contramão do cenário de queda do setor automotivo e da tramitação do PL (Projeto de Lei) 4.330, que libera a terceirização de forma indiscriminada.
\r\n\r\n A negociação para a desterceirização faz parte do acordo de estabilidade de emprego até 2017, aprovado pelos trabalhadores em março deste ano. Cerca de 268 funcionários que atuavam no setor de logística da fábrica por meio de uma empresa terceirizada foram contratados pela montadora. Os novos funcionários terão melhores condições de trabalho, salários e benefícios. José Alípio Santos atuava há quase três anos na empresa terceirizada e considerou a contratação como a realização de um sonho. “Os benefícios da PLR e o plano de saúde nem se comparam ao que tinha antes. A expectativa de vestir a nova camisa foi grande e vou dar o melhor”, reagiu.
\r\n\r\n O acordo entra em vigor em um momento bastante delicado para a indústria automotiva no país. Os dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revelam 21,3% de queda nas vendas de veículos comerciais leves da Ford no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. No segmento de caminhões pesados a queda foi de quase 60%.
\r\n\r\n Apesar do quadro de queda, a empresa cumpriu o combinado e, além de contratar parte do setor de logística, ainda realocou mais 210 funcionários. “A empresa possui um excedente de mão de obra e as vendas estão fracas. Para evitar demissão, combinamos de realocar parte de trabalhadores de outros setores para a logística, que é onde a empresa determinou que era interessante. Os funcionários que tinham perfil ou cursos no setor foram convidados a mudar de área, além de parte do pessoal que estava em lay off e foi chamado de volta à fábrica”, explicou o diretor executivo do sindicato, Alexandre Colombo.
\r\n\r\n Desde o início do ano, a Ford tem adotado uma série de mecanismos para evitar as demissões, como férias coletivas, banco de horas, Programa de Demissão Voluntária (PDV) e afastou por meio de lay off 274 trabalhadores em maio. De acordo com o sindicalista, 57 destes afastados retornaram à montadora na semana passada. “Houve todo um movimento interno de realocações, por isso, alguns voltaram para a produção e outros foram direto para a logística. Ao todo, entre contratação e realocação, garantimos vagas para quase 500 trabalhadores”, afirmou Colombo.
\r\n\r\n “Fiquei em banco de horas por três meses e mais dois meses em lay off. Trabalhava na produção e agora estou na logística. A cabeça estava a mil porque não sabia se ia voltar para a fábrica. Trabalho há 22 anos na Ford, tenho dois filhos e agora é só alegria. É muito bom trabalhar”, disse Pedro Godoy.
\r\n\r\n O acordo é ainda mais comemorado pelos sindicalistas, porque vai na contramão do Projeto de Lei 4.330, já aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado. O projeto permite a terceirização indiscriminada em qualquer setor da economia (hoje, as empresas só podem terceirizar as chamadas atividades meio, como limpeza, portaria, entre outras).
\r\n\r\n “Enquanto setores conservadores da sociedade defendem os interesses dos empresários com o PL 4.330, que é a precarização do trabalho, o Sindicato e seus representantes trabalham em uma frente contrária à terceirização”, afirmou Alexandre Colombo. A empresa não se pronunciou sobre o assunto.
\r\n\r\n Fonte: Rede Brasil Atual.
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