Isso desmente as informações oficiais do governo, que a mídia\r\nreproduz com entusiasmo, de que o mercado de trabalho começou a dar sinais de\r\nrecuperação
Quase 100% das vagas\r\ngeradas no setor privado neste ano foram informais, segundo análise do IBGE\r\nbaseada nos dados extraídos da pesquisa Pnad Contínua, divulgada nesta\r\nquinta-feira (30) pelo instituto.
Os cálculos de Cimar\r\nAzeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, são aproximados e\r\ndemonstram a tendência de informalidade verificada na geração de emprego\r\nrecente no país.
A Pnad Contínua mostra\r\nque aproximadamente 2,3 milhões de postos foram criados neste ano de 2017,\r\ndesde o trimestre iniciado em fevereiro.
Destas, Azeredo avalia\r\nque cerca de 1,7 milhão são postos voltados para a informalidade, ou seja, é\r\npossível afirmar que 76% das vagas geradas dentro do ano têm características\r\ninformais. O restante foi serviço público (511 mil).
O rendimento médio do\r\ntrabalhador informal foi de R$ 1.253 no trimestre encerrado em outubro, 42% a\r\nmenos que a média de todos os trabalhadores, que foi de R$ 2.127. Houve um leve\r\naumento em relação ao trimestre anterior, quando o informal ganhava em média R$\r\n1.197.
"A geração de\r\npostos de trabalho com característica informal contribui para a precarização do\r\nmercado de trabalho, pois adiciona a esse mercado ocupações de baixa\r\nqualidade", afirma Azeredo.
O trabalho informal são\r\nvagas geradas no trabalho sem carteira (721 mil), empregadores (187 mil),\r\ntrabalhadores domésticos (159 mil) e por conta própria (676 mil) —modalidades\r\nconsideradas de menor qualidade em relação aos postos com carteira assinada, protegidos\r\npela lei trabalhista.
É o trabalhador que\r\nperdeu o emprego formal na construção e passou a atuar com pedreiro\r\nindependente em pequenas obras, contratando ajudantes, o que o coloca na\r\ncategoria de empregador. Também pode ser aquele que passou revender comida\r\nfeita em casa ou cosméticos, por exemplo, encaixando-se na modalidade do conta\r\nprópria.
Os novos empregos com\r\ncarteira ficaram em 17 mil no trimestre, um número considerado pequeno do ponto\r\nde vista estatístico.
"É possível fazer\r\nessa aproximação porque, no momento em que o trabalho por conta própria está\r\naumentando, parte expressiva das vagas de empregadores também têm grandes\r\nchances de serem informais", diz Azeredo.
Fonte: Folha de São Paulo
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