Enquanto Brasília fervia com a repercussão e os desdobramentos da\r\ninvestigação de um novo áudio que ameaça implodir a delação premiada da JBS,\r\nvinha da Bahia a imagem que ilustra o momento de descrença da população com a\r\nclasse política. Em um imóvel vazio na Rua Barão de Loreto, no bairro da Graça,\r\nárea nobre de Salvador, policiais federais realizaram a maior apreensão de\r\ndinheiro vivo da história do país. Oito caixas de papelão e sete malas\r\nabarrotadas de cédulas de R$ 50 e de R$ 100 foram encontradas em um apartamento\r\nque seria utilizado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que ocupou a\r\nSecretaria de Governo no início do governo Temer.
Os mais de R$ 40 milhões estavam em um apartamento que teria sido\r\nemprestado ao ex-ministro para que guardasse os pertences do seu pai, já\r\nfalecido. Durante as investigações sobre Geddel na Operação Cui Bono? (que em\r\nlatim significa a quem interessa?), surgiu a suspeita de que ele usava o local\r\npara esconder provas de atos ilícitos e dinheiro em espécie. A investigação\r\nsobre o ex-ministro, que cumpre prisão domiciliar sem tornozeleiras eletrônicas\r\nna capital baiana, é mais um capítulo da Operação Lava-Jato, que, em suas mais\r\nde 45 fases até agora, leva a população a fazer a seguinte pergunta: aonde\r\nvamos parar?
\r\nNa capital federal, em um pronunciamento em vídeo, a presidente do Supremo\r\nTribunal Federal, Cármen Lúcia, determinou a abertura de “uma investigação\r\nimediata” sobre as menções a integrantes da Corte feitas pelo empresário\r\nJoesley Batista e o executivo Ricardo Saud, ambos da JBS, no áudio gravado por\r\neles e entregue ao Ministério Público Federal na quinta-feira passada
\r\nSegundo a ministra, a dignidade institucional do STF e a honorabilidade de seus\r\nintegrantes foram agredidas “de maneira inédita na história do país”.
Ainda em Brasília, o ministro Édson Fachin, relator da Operação\r\nLava-Jato no Supremo, validou a delação premiada do doleiro e operador do PMDB\r\nLúcio Funaro.
\r\nPressionado pelo desgaste após as revelações da nova gravação de Joesley, o\r\nprocurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve se valer das acusações de\r\nFunaro para embasar uma segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.
Despedida
Janot, que será substituído por Raquel Dodge no comando da\r\nProcuradoria-Geral da República no próximo dia 18, fez ontem um discurso de\r\ndespedida na última sessão como presidente do Conselho Superior do Ministério\r\nPúblico Federal, e denunciou ao Supremo Tribunal Federal por crime de\r\norganização criminosa os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma\r\nRousseff; os ex-ministros Antonio Palocci Filho, Guido Mantega, Edinho Silva e\r\nPaulo Bernardo; a senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT; e o\r\nex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto .
E os casos de corrupção não param por aí. Teve ainda o Ministério\r\nPúblico Federal pedindo o bloqueio de até R$ 1 bilhão do patrimônio de Carlos\r\nArthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB); do empresário\r\nArthur Cesar Soares de Menezes Filho, o “Rei Arthur”; e de Eliane Pereira\r\nCavalcante, ex-sócia do empresário. O objetivo, segundo procuradores, é reparar\r\nos danos causados pelo trio em relação à fraude na escolha da sede da Olimpíada\r\nRio 2016, o último grande evento esportivo que encheu de orgulho os\r\nbrasileiros, mas que, a cada dia que passa, mostra o tanto que custou aos\r\ncombalidos cofres públicos.
Por fim, a terça-feira teve um mercado que amanheceu eufórico com o\r\npossível enfraquecimento da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.\r\nA Bolsa de Valores de São Paulo (B3) chegou a 73.179 pontos, próximos do topo\r\nhistórico de 73.900, ocorrido em maio de 2008. No decorrer do dia, o mercado\r\nlocal ajustou ao cenário internacional, que derrubou bolsas nos Estados Unidos\r\ne na Europa. Com isso, o Ibovespa chegou a ficar no vermelho, mas reagiu e\r\nterminou em alta de 0,03%, cotada a 72.150 pontos. O dólar caiu 0,57% e fechou\r\no dia em R$ 3,119. Na contramão da melhora da Bolsa, as ações da JBS, que faz\r\nparte do grupo J&F, despencaram 8,27% com o escândalo.
Fonte: Correio Braziliense
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