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Emprego informal tira força da retomada

Data de publicação: 26/03/2018



A recuperação do mercado de trabalho\r\npuxada pelo emprego informal, sem carteira assinada, não dá segurança para as\r\nfamílias voltarem a consumir com força e pode comprometer a retomada.

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Para especialistas, a conclusão se\r\nancora no cruzamento de dados. Em 2017, foram criadas 1,8 milhão de vagas— todas\r\nno setor informal. Com carteira, 685 mil vagas foram perdidas. 

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Também conta a renda média dos sem\r\ncarteira e de pequenos empreendedores, metade da renda dos formais, já\r\ndescontada a inflação. 

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“A propensão a consumir de um\r\nempregado formal, que tem mais segurança e acesso ao crédito, é maior do que a\r\nde um informal”, diz Marcelo Gazzano, economista da consultoria AC\r\nPastore. 

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Estudo da consultoria de Affonso\r\nCelso Pastore, ex-presidente do Banco Central, busca entender por que projeções\r\nde consumo vinham negligenciando esse efeito. 

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A sugestão é que, envolvidos pelo\r\ncenário de juros mais baixos e melhora, ainda que incipiente, de salários e\r\ncrédito, analistas menosprezaram o peso da carteira de trabalho em decisões de\r\nconsumo —o que também explicaria a trajetória surpreendentemente errática do\r\nvarejo nos últimos meses. 

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A equipe de Pastore considera revisar\r\na projeção de crescimento para 2018, ainda em 3%. A expectativa é que fique\r\npróxima de 2,5%.  

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“Não dá para dizer: não haverá\r\nrecuperação econômica pelo consumo. Ela virá. Mas menos robusta do que se\r\nimaginava em razão da profunda alteração no mercado de trabalho”, diz Marcelo\r\nGazzano, responsável pelo estudo. 

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Um bom exercício, diz ele, é olhar para\r\no consumo das famílias e para o mercado de trabalho num período maior. 

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 O consumo atingiu o pico da série\r\nhistórica, iniciada em 1996, entre 2011 e 2014. Nesse momento, a proporção de\r\ntrabalhadores com carteira assinada na população ocupada também esteve no teto\r\nhistórico, ao redor de 45%.  

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Em apenas três anos, esse percentual\r\nfoi para 42%, mas o consumo não teve o mesmo comportamento, em especial no ano\r\npassado. A trajetória positiva do varejo em 2017 tirou as atenções do mercado\r\nde trabalho nessa correlação.  

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E a oferta de vagas piorou muito. No\r\nfim de 2011, eram 39,9 milhões de trabalhadores com carteira. No fim de 2017,\r\n38,4 milhões. No mesmo período, o país saiu do pleno emprego para uma situação\r\nem que há 12,3 milhões de desempregados, 26,4 milhões de subempregados e 4,4\r\nmilhões que desistiram de buscar trabalho.  

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O melhor comportamento do varejo em\r\n2017, avalia-se hoje, pode ter sido provocado pela liberação de R$ 44 bilhões\r\ndo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), pois parte foi para\r\ncompras. 


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