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Motorista bêbado que causar acidente com vítima agora tem pena maior

Data de publicação: 19/04/2018

Começaram a valer nesta\r\nquinta-feira (19) as mudanças no Código de Transito Brasileiro (CTB) que\r\naumentam a punição e diminuem as brechas para motoristas embriagados ou\r\ndrogados que causarem acidentes com vítimas no trânsito.

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Sancionada\r\nem dezembro passado, a alteração define que motoristas bêbados enquadrados na\r\nlei de trânsito por homicídio culposo (sem intenção de matar) cumpram pena de 5\r\na 8 anos de prisão, além de o direito de dirigir suspenso ou proibido.

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Antes,\r\na pena por causar acidente com morte era de 2 a 4 anos, o que permitia que o\r\ndelegado responsável pelo flagrante estipulasse uma fiança, que poderia liberar\r\no motorista imediatamente.

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Com a\r\nelevação da pena, o delegado não pode mais determinar a fiança porque a lei\r\npermite isso apenas em crimes com pena máxima de 4 anos.

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Agora,\r\napenas um juiz poderá decidir pela liberdade ou não do motorista, seja por meio\r\nde habeas corpus, pedido de liberdade provisória ou de relaxamento da prisão.

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Como\r\no crime continua apontado como culposo no Código de Trânsito, segue existindo a\r\npossibilidade de converter a pena de prisão em pena alternativa, como pagamento\r\nde cestas básicas ou trabalho comunitário.

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Se deixar feridos

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Nos\r\ncasos em que há lesão corporal culposa (feridos sem intenção), a punição para o\r\nmotorista passou de 6 meses a 2 anos para 2 a 5 anos. Nestes casos, o delegado\r\ntambém não poderá conceder fiança.

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“Não\r\ntinha o constrangimento de ficar preso”, explica Anna Julia Menezes, advogada\r\ncriminalista.

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Com a\r\npena aumentada, não é possível pedir a suspensão condicional do processo.\r\nVoltada a pena igual ou inferior a 1 ano, ela dá a possibilidade de evitar o\r\nprocesso e manter o motorista como réu primário com o cumprimento de certas\r\ncondições, como pagamento de multa.

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Se for pego no bafômetro

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Nada\r\nmuda com relação a motoristas flagrados bêbados que não se envolverem em\r\nacidente.

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A\r\npunição para quem for pego no bafômetro é multa de R$ 2.934,70, além da\r\nsuspensão da carteira de habilitação por 1 ano. E é a mesma para quem se recusa\r\na fazer o teste.

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O\r\nbafômetro não é a única forma de constatar embriaguez: quaisquer sinais que\r\nindiquem alteração da capacidade psicomotora podem servir de prova pela\r\nautoridade no local.

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′Cavalo de pau’ vira crime

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A\r\nnova redação da lei também transforma a “exibição ou demonstração de perícia”\r\nao volante em crime, no mesmo artigo que fala sobre “corrida, disputa ou\r\ncompetição automobilística não autorizada”, os famosos “rachas”.

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De\r\nacordo com advogados, essas exibições e manobras podem ser um “cavalo de pau”,\r\nacelerar muito cantando os pneus, empinar a moto ou qualquer manobra radical\r\nque crie alguma situação de risco.

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Antes\r\nessas manobras agressivas sem vítimas estavam sujeitas apenas a multa (R$\r\n2.934,70) e suspensão da habilitação, mas agora o motorista também pode pegar\r\nprisão de 6 meses a 3 anos.

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Em\r\ncasos com feridos graves, a pena é de 3 a 6 anos de prisão. Se houver morte, a\r\nreclusão passa de 5 a 10 anos.

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Importância da fiscalização

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De\r\nacordo com advogados consultados pelo G1, a mudança poderá reduzir o sentimento\r\nde impunidade nos crimes de trânsito, mas a fiscalização e a educação têm papel\r\nprincipal em diminuir a incidência.

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“Diminuir\r\nos crimes de trânsito depende de campanhas de conscientização, campanhas\r\neducacionais. Não adianta criar leis mais impositivas sem dar orientação aos\r\nmotoristas”, afirma Andréa Resende.

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Já\r\nJoão Paulo Martinelli, da Faculdade de Direito do IDP-São Paulo, acredita que\r\nas penas para os crimes de trânsito estão desproporcionais.

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“A\r\npena para homicídio culposo é muito maior agora para os casos que envolvam\r\nveículo automotor. Se o sujeito está manuseando arma de fogo, ela dispara e\r\nacerta alguém, um caso de homicídio culposo, aplica-se uma pena de 1 a 3 anos”,\r\nexplicou.

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“Atualmente,\r\no que impede que as pessoas dirijam embriagadas é a blitz. Ela é muito mais\r\neficaz do que a lei”, completou.

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