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Situações de discriminação e preconceito no ambiente de trabalho\r\nainda são algumas das principais queixas do brasileiro, num momento em que as\r\nempresas buscam maneiras de coibir esse tipo de comportamento.
De acordo com uma pesquisa\r\nrealizada pelo site de empregos Vagas.com, metade dos 1.731 entrevistados\r\nafirmam já ter passado por uma situação de discriminação ou preconceito no dia\r\na dia - seja por ocupar um cargo mais baixo na hierarquia empresarial ou\r\npor características pessoais, como timidez ou extroversão.
O coordenador nacional da área\r\nde Direito do Trabalho do escritório Veirano Advogados, José Carlos Wahle,\r\navalia que garantir um ambiente livre de práticas discriminatórias é uma regra\r\nde compliance tão importante quanto qualquer outra.
“Da mesma forma que uma\r\nempresa preocupa-se em não estar envolvida em casos de corrupção ou seguir boas\r\npráticas de concorrência, ela deve ter atenção ao comportamento de seus\r\nfuncionários e evitar qualquer tipo de constrangimento”, aponta.
Ele também ressalta que\r\ncombater o preconceito seja, talvez, um dos itens de governança mais difíceis\r\nde ser colocado em prática. “Estamos falando do comportamento humano e de\r\nsituações que refletem como a nossa sociedade pensa. Então, não basta ter\r\ncanais de denúncia, mas também cuidar para que todo o sistema seja efetivo”,\r\ndiz.
O especialista em inteligência\r\nde mercado do Vagas.com, Rafael Urbano, concorda. “O que vemos nas empresas é\r\nreflexo do que as pessoas são fora dela. A questão é que dentro do mundo\r\ncorporativo a situação pode, às vezes, tornar-se ainda mais insustentável para\r\nquem sofre com isso, porque é no trabalho que passamos boa parte do nosso dia”,\r\nreflete.
Denúncias. Ainda de acordo com\r\no levantamento do Vagas.com, 54% das empresas afirmaram não possuir um canal\r\ndireto para denúncias. Mesmo assim, Wahle acredita que o ambiente de negócios\r\nbrasileiro passa por um momento de transição. Para ele, há cada vez mais\r\nempresas interessadas em ferramentas de combate ao preconceito, discriminação e\r\nassédio e, acima de tudo, aprendendo a fazer com que essa engrenagem funcione\r\ncorretamente.
“É algo que vai sendo mudado\r\naos poucos. Infelizmente, ainda temos exemplos de companhias que possuem todos\r\nos mecanismos para investigar os casos e aplicar punições, mas não desenvolvem\r\nessa prática de maneira tão ampla ou completa. Mas isso deve mudar”, conta.
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O segredo, afirma, está em\r\ndemonstrar aos funcionários que os canais de denúncia existem e são\r\nadministrados com neutralidade, autonomia e autoridade. “A empresa precisa\r\nganhar a confiança dos colaboradores e deixar claro que casos de preconceito ou\r\ndiscriminação serão investigados, resolvidos e jamais tolerados.”
Para o diretor da agência de\r\nrecrutamento Talenses, Rodrigo Viana, os funcionários só terão confiança em\r\ndenunciar qualquer tipo de abuso quando tiveram certeza de que isso está\r\nocorrendo. “Caso contrário, as pessoas deixarão o problema de lado, agravando\r\numa situação que é velada”, diz. Entre os principais medos de quem decide não\r\nlevar uma denúncia adiante estão o receio de perder o emprego, represálias,\r\nvergonha e sentimento de culpa, aponta o estudo do Vagas.com.
José Carlos Wahle explica que\r\nem situações de funcionários vítimas de preconceito e discriminação não\r\nauxiliados pelas empresas é possível até mesmo pedir demissão e receber todas\r\nas verbas rescisórias.
“Caso ele consiga comprovar o\r\nocorrido e a negligência da empresa, com quebra de contrato, ele passa a ter\r\nesse direito como se tivesse sido demitido”, explica. Além disso, também é\r\npossível pedir indenização por danos morais. “Toda conduta discriminatória\r\npermite que a vítima reclame e receba por isso.”
Ainda de acordo com os\r\nespecialistas, o funcionário que discrimina um colega pode ser punido com\r\nmedidas disciplinares como uma advertência ou até mesmo suspensão ou demissão\r\npor justa causa. Já as empresas podem ser responsabilizadas pela falha cometida\r\npor seu colaborador e também por encorajar, omitir ou permitir a discriminação.
Fonte: Estadão
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