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Apenas 4% dos brasileiros poupam para a aposentadoria

Data de publicação: 09/01/2017

Preocupado porque o dinheiro da aposentadoria vai\r\nsecar e você não tem reservas para garantir seu nível de vida até os 80, 90 ou\r\n100 anos? Você não está sozinho. Em cada 100 brasileiros, só 4 separam recursos\r\npara os anos finais, o índice mais baixo das Américas e um dois piores do\r\nmundo. Em levantamento de 143 países feito pelo Banco Mundial, só 11 estão\r\nabaixo.

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A imprevidência atinge até os brasileiros de renda\r\nmais alta, e não é uma questão de pobreza: o Brasil perde de nações como Congo,\r\nMaláui ou Togo, que têm PIB (Produto Interno Bruto) per capita próximo de US$\r\n1.000 em paridade de poder de compra, medida que permite melhor comparação\r\nentre os países.

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No Brasil, o PIB per capita foi US$ 15,4 mil em\r\n2015, semelhante ao da Tailândia, em que 60% poupam para a velhice. Os dados,\r\nde 2014, foram retrabalhados em 2016 visando especificamente a reserva para a\r\nidade avançada.

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O estudo do Banco Mundial encontrou forte correlação\r\nentre a economia para a velhice e o hábito geral de poupança. Em países\r\nasiáticos, onde a maioria das pessoas faz reservas financeiras de forma\r\nregular, a porcentagem dos que poupam para os anos finais também é mais alta.

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Na Tailândia, 80% da população declara ter poupado\r\nalgum dinheiro nos 12 meses anteriores. No Brasil, são 28% (o 14º pior índice\r\nno mundo).

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Executivos do setor atribuem isso à herança do\r\nperíodo de inflação descontrolada que durou até os anos 1990. “Há 20 anos, mal\r\nera possível planejar para o fim do mês”, diz Paulo Valle, vice-presidente da\r\nFenaprevi, federação do setor de previdência privada.

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Conhecer as causas não basta, porém. A educação\r\nfinanceira, por exemplo, tem alta correlação com poupança. Mas estudos indicam\r\nque mesmo os mais ricos e escolarizados ignoram conceitos como diversificação,\r\njuros compostos, custo-benefício e a relação entre risco e lucro.

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O investimento em educação financeira, portanto, é\r\nalto e obtém pouco resultado duradouro, segundo as pesquisas. São as ações\r\ndiretas sobre o comportamento que alcançam êxito maior e mais rápido, diz Leora\r\nKlapper, economista-chefe do time de pesquisa em finanças e setor privado do\r\nBanco Mundial.

Ter sua própria conta bancária é um fator\r\nimportante, principalmente se houver facilidade para transferir recursos e\r\nfazer investimentos.

Klapper relata experiências em Gana e em Bangladesh,\r\nem que cidadãos recebem no dia do pagamento um lembrete para poupar. Em Gana,\r\n55% têm o hábito de poupar e 13% economizam para a velhice. No país asiático,\r\nsão 24% e 6%, respectivamente.

Políticas públicas também são fundamentais para a\r\ntransição da seguridade social para um modelo de planos privados, argumenta uma\r\ndas principais especialistas em previdência e educação financeira do mundo, a\r\nprofessora Olivia Mitchell, de Wharton, a escola de negócios da Universidade da\r\nPensilvânia.

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Fonte: Folha de SP.

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