Daqui a alguns anos, os livros de História terão de ganhar algumas páginas a mais. O esgotamento gradativo das reservas de combustíveis fósseis e a preocupação crescente em torno da preservação ambiental fazem com que fontes de energia renovável tenham de ser viabilizadas para atender às necessidades da população mundial.
Aos poucos, chega ao fim o ciclo iniciado na Inglaterra com a Revolução Industrial, no século 18, e entram em cena novas personagens, defendidas por uma consciência politicamente correta, cujo mote é o desenvolvimento sustentável.
Para levar essa realidade até o leitor, o Diário publica, de hoje a quinta-feira, uma série de reportagens sobre as energias renováveis.
O cenário atual faz com que estudiosos considerem que o próximo boom econômico mundial será protagonizado pelas novas fontes de energia. Os dados e previsões atuais explicam o porquê.
De acordo com reportagem publicada em junho pela revista norte-americana ′The Economist′, o setor de energia elétrica movimenta hoje cerca de US$ 6 trilhões todos os anos. A publicação mensura também que o consumo global é de cerca de 15 terawatts, número que deve dobrar até 2050 - uma unidade de terawatt é composta por 1.000 gigawatts e 1 gigawatt é equivalente à capacidade total das maiores estações de petróleo existentes.
A preocupação em preservar o meio ambiente é também cada vez maior, embora não atinja a todos os governos e grupos sociais. No Brasil, o Programa de Apoio às Energias Renováveis (Proinfa), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), estabeleceu a meta de que, até 2022, 10% da matriz da energia elétrica no Brasil deve vir das novas fontes renováveis - que não se esgotam.
A grande vantagem é que essas alternativas geram impacto praticamente nulo no ecossistema - as hidrelétricas são consideradas renováveis, mas a construção delas implica transformação considerável do ambiente. Este contexto atribui notoriedade aos elementos nucleares, aos raios solares e aos ventos, que, em breve, devem ser fontes mais comuns.
No caso dos biocombustíveis, o principal benefício para o meio ambiente é o fim do agravamento da poluição e do tão comentado aquecimento global, gerado pela emissão elevada de dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico. Nos últimos anos, o assunto foi tema recorrente de discussões, encontros, estudos e reportagens em geral. Até mesmo o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore ganhou representatividade política ao discutir a questão abertamente no videodocumentário "Uma Verdade Inconveniente".
O presidente da organização não-governamental Funverde, Cláudio José Jorge, afirma que "a energia renovável é a energia de um futuro muito próximo". Em Maringá, basta visitar algumas ruas e avenidas para ver que tecnologias desse setor já foram escolhidas por alguns moradores atentos à questão e, principalmente, à economia que a opção proporciona nas contas mensais.
No entanto, o empecilho para a adesão generalizada é o custo demandado para se aproveitar as fontes renováveis. De acordo com a The Economist, o preço da energia elétrica convencional, gerada, em grande parte, por hidrelétricas no Brasil, ainda é menor e, portanto, mais viável.
Outro agravante que compete para a não utilização em maior escala é a falta de consciência ambiental das pessoas. "Muitos nem querem saber de onde vem a energia que utilizam", comenta o presidente da Funverde.
A opinião é compartilhada pelo coordenador do Laboratório de Hidrogênio da Universidade da Campinas (Unicamp), Ennio Peres da Silva, para quem a preocupação genuína ainda se reduz quase que somente a grupos da população dos países mais ricos, onde a questão ganhou dimensão maior nos últimos anos.
No Brasil e em outros definidos como emergentes, o que dita a adesão é a viabilidade econômica. "O argumento ambientalista serve apenas para adoçar a boca", critica. De qualquer forma, ele diz acreditar que, futuramente, essa realidade deve mudar. Talvez seja o início do ciclo da "energia limpa".
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